Histórias contadas pelos nossos avós…

Festa do Ramo

As gentes da freguesia de Gondesende tinham o hábito de celebrar a Festa do Ramo. Uma tradição secular e que infelizmente se perdeu recentemente.

“Ainda há poucos anos fazíamos a Festa do Ramo aqui na aldeia. Mas já se sabe… vai-se perdendo tudo. É uma pena.” Hermínio Tomé, 76 anos - Portela

A Festa do Ramo era uma festividade com significado religioso e que, ao mesmo tempo, testemunhava a união que existia entre os habitantes da aldeia.
Entre o Ano Novo e os Reis os mordomos percorriam as casas e ruas da aldeia pedindo o ramo. As pessoas ofereciam chouriços, ovos, garrafas de vinho, bolos, caramelos, maçãs, entre outras coisas. Mais recentemente já havia quem oferecesse dinheiro.

Os mordomos iam ao monte buscar um ramo de carrasco. Escolhiam um ramo grande, direito, com muitos galhos e que fosse mais jeitoso. Após a escolha do ramo era o momento de cortá-lo, de tirar-lhe as folhas (a rama) e de transportá-lo para o largo da igreja.

“Tinham de pegar 2 ou 3 homens no ramo para poderem levá-lo.” Hermínio Tomé, 76 anos - Portela

No primeiro domingo após a recolha faziam o ramo. Os produtos oferecidos eram levados para o adro da igreja e colocavam-nos nos galhos do ramo de carrasco.
No final da missa dominical as gentes da aldeia reuniam-se no largo da igreja. Organizavam-se os solteiros de um lado e os casados do outro para arrematar o ramo. Entre o grupo de solteiros e o grupo de casados, quem arrematasse por maior valor ficava com o ramo. O grupo vencedor dividia o valor do remate por todos os membros do seu grupo e cada um dava o seu quinhão em dinheiro. O dinheiro angariado revertia para os santos da aldeia.

“Juntavam-se os solteiros e os casados. Depois mandavam os solteiros, a seguir mandavam os casados e quem desse mais arrematava o ramo.” Hermínio Tomé, 76 anos - Portela

“Pediam chouriços pela aldeia e depois faziam um ramo que ia ser arrematado. Estavam solteiros de um lado e casados do outro. Quem oferecesse mais dinheiro ficava com o ramo. O dinheiro era para os santos.” Imperatriz do Fundo Oliveira, 63 anos - Portela

Após o arremate do ramo faziam uma festa. A população da aldeia juntava-se e entre o animado convívio desfazia-se o ramo e todos comiam os produtos. Havia baile ao som dos realejos, bandolins e das gargantas afinadas e também de algumas desafinadas. E, como festa é festa, não faltavam algumas borracheiras.

 

 

                                             

 

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