Histórias contadas pelos nossos avós…

Poemas, lengalengas e landonas

Caronheiros os de Oleiros
Cucos os de Terroso
Caga tascos os de Espinhosela
Rendidos os de Gondesende
Valentosos os de Portela
Hermínio Tomé, 76 anos – Portela

Amanhã é domingo
Bate o cachimbo
Cachimbo é d´ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraca
Cai para a buraca
A buraca é no fundo
Acaba-se o mundo.
Infância Gonçalves, 84 anos – Portela

Coitada da tecedeira
Tem o inferno em vida
Pau nos pés, pau nas mãos,
Pau nas costas e pau na barriga.
Imperatriz do Fundo Oliveira, 63 anos – Portela

Poema do beijo

Se um beijo não é pecado
Se não faz mal a ninguém
Porque é que tu não me pedes
Na frente da tua mãe

Pergunta tu à tua mãe
Quando ela estiver só
Quantos beijos deu ao teu pai
Na frente da tua avó
Infância Gonçalves, 84 anos – Portela

Poema Vida de militar

Rapazes meus amigos
Agora vos vou contar
A vida que eu passei
Enquanto fui militar

Enquanto fui militar
Para mim foi uma brincadeira
Junto ao largo da luz
Namorei uma sopeira

Quando me via atrapalhado
A Deus pedia socorro
Agora vou contar
O princípio do meu namoro

Menina espere aí
Que lhe quero falar
A ver se pode conseguir
O meu namoro aceitar

Eu aceito o seu namoro
Com bastante alegria
Não há soldado
Como o da artilharia.
Hermínio Tomé, 76 anos – Portela

Mandamentos do pobre

São nove:
1º Dormir em palheiro
2º Andar pelo mundo
3º Não comer galinha nem carneiro
4º Nunca farto
5º Não beber vinho branco nem tinto
6º Olho listo e pé ligeiro
7º Nem fiado nem de empréstimo
8º Piolho de rabo
E o nove, vê-se o cu ao pobre.
Isabel Vaz – Gondesende

Responso da ovelha ladrona

Se queres que o lobo te não coma
Deita o rabo por cima da sanfona
E vai com duas horas de Sol
P`ra porta da tua dona.
Isabel Vaz – Gondesende

Mandamentos dos criados

Altos mijaremos nós
Por muitas esmolas e mercês
Faltou-nos pão aos dois comeres
Mas chicha ainda temos menos
A culpa não a temos
A culpa é dos nossos amos
Deus lhes faça a eles moços e a nós amos
P`ra saberem as fomes que rapamos.
Isabel Vaz – Gondesende

Mandamentos do nabo

São cinco :
1º É nabo
2º Nabiça
3º Grelo
4º Cagá-lo
E 5º comê-lo.
Isabel Vaz – Gondesende

Responso do peido

Este peido é cortez
É filho do rapa três
Quem o batizou foi o Papa
E pôs-lhe o nome de Rapa
É d`engarganta-o tu
Livra a nós e mama-o
Abre a boca e apanha-o.
Isabel Vaz – Gondesende

Responso do cão

Abre-te minha boca
E estende-te meu rabo
Vamos daqui à cozinha
Ver se há qualquer coisa mal arrecadada
Deus nos dê mulheres descuidadas
E nos livre de rapazes novos em caleijos apertados.
Isabel Vaz – Gondesende

 

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