Histórias contadas pelos nossos avós…

Bruxas, feitiçarias e almas do outro mundo

Antigamente, qualquer aldeia que se prezasse tinha a sua bruxa. As aldeias de Portela, Gondesende e Oleiros não fugiam à regra. Por aqui também havia rumores da existência de bruxas. E, havia quem acreditasse como lhes fazer frente, o método era espetar um prego na sua sombra, pois elas não conseguiriam sair do lugar.

“…em todas as aldeias existia pelo menos uma bruxa, ou alguém suspeito de o ser… O tio David, que Deus tenha, garantia a pés juntos que em Gondesende eram mais e que nunca saia à rua em jejum.” Isabel Vaz – Gondesende

“Em Portela as suspeitas recaiam sobre a velha Meireles. Era uma mulheraça, alta, magra e com os pés muito grandes, mas pouco dada ao convívio, principalmente com os catraios.” Isabel Vaz – Gondesende

E se bruxas havia, os bruxedos, enguiços e feitiços “circulavam” por estas paragens ou pelo menos os habitantes da altura assim o entendiam. Histórias de bruxedos, enguiços, feitiços e almas penadas não faltavam.

“Os mais antigos diziam que quando iam de noite para os moinhos, havia vezes que uma luz misteriosa os acompanhava até casa.” Maria do Rosário Rodrigues - Portela

“O meu pai era alfaiate. Ia fazer os serviços para fora da aldeia. Uma vez às 11 horas da noite vinha para casa. No caminho passou algo por ele e deu-lhe um encontrão. Ele perguntou: “Quem fez isso?” e ninguém respondeu.” Maria do Rosário Rodrigues - Portela

“O meu avô andava com o gado de noite, apareceram duas bruxas e agarraram-no pelos braços, uma de cada lado. Levaram-no para cima de uma poça e disse uma bruxa para a outra: “deixamos-lho aqui” e a outra disse: “não porque aqui afoga-se”. Passaram o meu avô para o outro lado da poça e deixaram-no lá.” Abílio Elias dos Inocentes, 87 anos - Portela

“… em Oleiros numa certa noite um homem vinha do moinho com uma saca de farinha às costas. Ao chegar ao cruzeiro de Santo André, já exausto, parou para descansar e pousou a saca em cima da raiz de um carvalho. Entretanto, passam dois homens e ele pediu se o podiam ajudar a pôr a saca às costas... E um deles diz: - “ajuda-o lá tu que morreste de umas facadas… que eu não posso pois morri de uma caganeira!”” Isabel Vaz - Gondesende

Havia ainda aqueles que, tolhidos pelo medo e pela incompreensão de algum acontecimento ou fenómeno, “viam” bruxas, feitiçarias e almas do outro mundo onde não as existia.

“Histórias de bruxas? Não me lembro de nenhuma... Dantes as pessoas tinham medo e vai-se a saber diziam coisas… Isso era o medo.” Infância Gonçalves, 84 anos - Portela

“O Ernesto vivia nas Fragas de Maquieiros numa cabana. Ao início, os de Gondesende viam aquela luz ao longe e pensavam que era alguma coisa do outro mundo.” Hermínio Tomé, 76 anos – Portela

“Conta-se que numa noite fria e chuvosa de Inverno um garoto, para se abrigar da chuva, se escondeu debaixo da padieira da porta do cemitério. O tio Félix, que Deus tenha, descia a altas horas pelo adro abaixo e o petiz, em jeito de brincadeira, agarrou-se-lhe às pernas… Foi tal o susto que o coitado do homem ficou mudo por uns tempos!” Isabel Vaz - Gondesende

 

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