Histórias contadas pelos nossos avós…

As bruxas e a marreca

Antigamente as bruxas gostavam de dançar e cantar nas encruzilhadas. Numa noite de lua cheia, estando as bruxas alegremente a bailar numa encruzilhada, apareceu um homem marreco. Ele, vendo aquele bailarico, aproximou-se e dançou com aquelas mulheres, nunca suspeitando que elas eram bruxas. No meio daquela algazarra perguntou às bruxas o que devia cantar. Elas prontamente responderam para ele cantarolar as seguintes palavras: terças e sextas. O homem marreco dançava e cantava com afinco: “terças e sextas, terças e sextas, terças e sextas…”
As bruxas impressionadas com a garra que o marreco teve dirigiram-se ao Divino Mestre: “Divino Mestre, o que damos a este bom homem?”
A resposta surgiu quase de imediato: “Tirem-lhe a marreca”.
E assim fizeram. O homem ficou direitinho como uma régua e não mais parecia um corcunda.
Nos dias seguintes encontrou outro homem marreco que vivia na mesma aldeia. O outro muito admirado perguntou-lhe como ele se tinha curado. Ele segredou ao outro marreco o que se tinha passado.
Numa outra noite em que as bruxas voltaram à encruzilhada para mais uma dança e cantoria apareceu o segundo marreco. Juntou-se às bruxas e começou a dançar e a cantar. Como queria ser mais esperto e pensando que iria receber mais alguma coisa em troca começou a cantarolar: “terças, sextas, sábados, domingos e todos os dias”.
No final do bailarico as bruxas dirigiram-se novamente ao Divino Mestre: “Divino Mestre, o que havemos de dar a este homem que tanto nos ajudou?”
Logo obtiveram a seguinte resposta: “ Dai-lhe a marreca que o outro deixou”.

Hermínio Tomé, 75 anos - Portela

 

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